Um exemplo de interação empresa-academia na Universidade de Aachen

Um exemplo de interação empresa-academia na Universidade de Aachen

30 de junho de 2019 0 Por André Spínola

Outra imersão muito interessante na nossa visita à Alemanha foi no “Institut für Textiltechnik” (ITA) da Aachen University. Se quiser ver os cases da DHL, da Siemens e da BMW, é só clicar nos links.

Trata-se de um instituto de tecnologia para o setor têxtil, que é um elo entre a universidade e as empresas, com foco em equipamentos de fibra química, máquinas têxteis, compósitos de fibra, biohybrid e medical textiles e outras soluções abrangentes ao longo da cadeia têxtil, bem como assistência na transferência de tecnologias.

Ele é um dos 240 institutos da Universidade de Aachen (de onde já saíram 5 Prêmios Nobel) e conta com corpo técnico de 400 pessoas, entre pesquisadores, estudantes e pessoal administrativo.

Exemplos de pesquisa e desenvolvimento

Várias aplicações super inovadoras vem sendo desenvolvidas, a maior parte delas sob demanda empresarial, mas algumas também por iniciativa acadêmica, como, por exemplo:

– Fibras óticas resistentes a corrosão, que são aplicadas em estruturas de concreto, mantendo a resistência, mas com muito menos peso.

– Fibras de carbono em estruturas bem complexas, como carros, por exemplo.

– Ainda na seara dos têxteis inteligentes, estão em desenvolvimento tecidos para colchões que monitoram o sono e postura ao dormir.

– Têxteis inteligentes, que supervisionam funcionalidades físicas em internações medicas, prescindindo de cabos e certos aparelhos e cuidados com idosos, para, por exemplo, monitorar postura e tempo deitado.

– Fios para medicina, cerca de 20 vezes mais finos que os tradicionais.

Vê-se claramente a aplicação de materiais têxteis em usos dos mais diversos e inovadores, como medicina, construção civil, automobilismo e aviação, por exemplo.

Como funcionam os projetos

Um projeto de pesquisa demora de 1 a 5 anos para encerrar seu ciclo, em que pese haja poucos casos de conclusão em alguns meses. A média é de 3 anos de P&D, com mais 1 ano de testes.

E o lançamento em mercado não é feito pelo instituto e sim pela empresa financiadora da pesquisa.

O foco é a cadeia até a chegada dos tecidos em confecção. Daí pra frente torna-se muito mais complexo gerar inovações pela alta dependência de mão de obra humana. E são buscados sempre padrões globais para baratear os custos ao máximo.

E como funciona o financiamento do Instituto?

5% são custeados pelo governo, vinculados aos custos do prédio e benfeitorias, além dos salários dos professores. 30% vem das empresas, com projetos sigilosos e/ou individualizados. 30% advém de algo como editais de pesquisa, para os quais os projetos são submetidos. E, por fim, 30% é recebido de um mix de empresas e recursos  públicos, para P&D de benefício amplo, de todo um segmento.

Isso redunda num orçamento anual de 15 milhões de euros.

O Digital Capability Center/DCC

O ITA constituiu uma sociedade LTDA com a Consultoria McKinsey, dentre outros parceiros menores, que é o DCC, em abril de 2017. Atualmente tem em produção uma pulseira RFID de múltiplas aplicações. Seu foco é a indústria 4.0.

O centro atua como um hub para fornecer capacitação em um ambiente de demonstração e aprendizado da vida real, bem como uma base de testes para pilotar e pivotar novas soluções digitais.

Nele há um ambiente de fábrica realista, uma cadeia de valor de ponta a ponta, desde o pedido até a entrega para a fabricação de uma pulseira inteligente e personalizada. Nós pudemos projetar uma pulseira e participar de parte do processo de produção.

Por fm, nesse processo foram vivenciadas situações de uso de realidade aumentada para manutenção e configuração de equipamentos, utilização extrema de sensorização com a consequente captação de dados para analise e tomada de decisão via dashboards com vistas à criação de padrões e ampliação de produtividade. Também foram apresentadas estações de trabalho adaptativas.