O foguete da transformação digital está passando nas nossas portas. Podemos ser rebocados ou podemos ser passageiros de primeira classe.

O foguete da transformação digital está passando nas nossas portas. Podemos ser rebocados ou podemos ser passageiros de primeira classe.

10 de julho de 2020 0 Por André Spínola

E para que realmente as coisas aconteçam, as áreas fundamentais de qualquer negócio onde a transformação digital impacta são:

  • Estratégia e planejamento
  • Foco nos clientes e na competição
  • Operação e processo
  • Pessoas e organização
  • Liderança e cultura
  • Inteligência de mercado, vendas e comercial

As vezes falta tempo de reflexão para perceber as mudanças e não nos damos conta de situações como o salto exponencial no uso de smartphones, que de 2012 a 2019 passaram de 1,5 bi para 5 bi.

Sejamos instados a instados a refletir sobre possíveis oportunidades no mundo digital que tenhamos vislumbrado (e se houvesse isso?) e pouco tempo depois surgiram do mercado. No mundo digital ser o primeiro não é fundamental e sim ser o mais rápido.

Para mostrar como o mundo digital é ágil, observemos o caso dos erros de avaliação do Yahoo, cujo conselho decidiu, em 2008, que a oferta de US$ 44 bilhões da Microsoft era “muito baixa”. Só que em 2016 foi vendida por U$ 5 bilhões para a Verizon. Isso sem mencionar as duas chances de comprar o Google…

Netflix e transformação digital No campo do entretenimento, é interessante ver que, no Brasil, as maiores redes de “TV”(do ponto de vista de audiovisual) são Globo, Youtube e Netflix em termos de faturamento.

De 2011 para cá, as cinco maiores empresas do mundo passaram a ser gigantes digitais. Até então, desde 2001, apenas uma constava nessa lista (Microsoft, depois substituída pela Apple). Entre as dez maiores, são seis. Não adianta mostrar conhecimento em internet e mundo digital antes de 2010. De lá pra cá é que as coisas se exponencializaram.

Na concepção de modelos de negócio, os empreendedores devem ficar atentos ao se aproximar de um líder de mercado. Se as soluções forem parecidas, os usuários tendem a preferir o líder. Há que se procurar uma diferenciação, uma experiência distinta.

Modelos de negócios são criados em cima de cadeias de valor (ver livro “Business Model Generation”):

  • Qual valor está sendo entregue ao cliente?
  • Quais os problemas dele eu estou ajudando a resolver?
  • Estou realizando ofertas combinadas?
  • Estou ofertando serviços consultivos ou diferenciados?

Há 10 tipos de inovação hoje no mundo, que dialogam diretamente com uma operação de negócios, sendo, portanto, aplicáveis ao Business Model Canvas. A maior quantidade de inovações está na órbita da performance de produtos. Não se inova mais em uma coisa apenas. A média tem sido 3,5 inovações, nas empresas mais competitivas do mundo.

E há que se tomar cuidado com os custos escondidos com a inovação. É muito simples pensar em receitas menos despesas como o resultado de uma empresa, mas a inovação distorce um pouco essa conta.

Dollar Shave Club criou assinaturas para as pessoas deixarem de ter que comprar em farmácias e supermercados. Vendem por um custo 3 vezes menor, desafiando gigantes como Gilette e Procter & Gamble. Veja a pegada deles AQUI.

Ao final de 2016, tinha 3,2M de assinantes e 160M de dólares de receitas, o que representa 5% de market share de pessoas que se barbeiam dos Estados Unidos e 15% do market share de lâminas. Dois anos atrás, após apenas 4 anos, foi vendido para a Unilever por U$ 1 bi.

O NYT muda sua home 150 vezes por dia para atrair leitores e isso mostra a facilidade de se “construir” e “desconstruir” coisas digitais para melhor atender aos clientes e usuários (estratégia de testes A/B).

A Uber foi citada como um fenômeno de crescimento exponencial e magnitude empresarial, com faturamento de mais de U$ 4bi. Mas como ainda dá mais de U$ 1 bi de prejuízo? Estão investindo quase bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento e ampliação de mercado, como, por exemplo, a construção de aeronaves urbanas em parceria com a Embraer.

O desafio de se tornar digital também é enorme. Foi abordado o caso do Itaú, que investiu fortemente em app, empresa-digital e internet banking. Com isso, 70% de todas suas transações são eletrônicas. Para se fechar um contrato de PJ, os prazos caíram e a burocracia caiu de 14 para 3 procedimentos. A Netflix gastou mais de U$ 15 bi com produções em 2019.

inovacao e criatividade nos negócios Em termos de receita per capita, os números são impressionantes. O Facebook fatura quase U$ 20 por usuário ativo por ano (nos EUA e Canadá são U$ 80). O Google tem U$ 90 por usuário ativo por ano. Já a Apple, que depende de hardware, tem U$ 715 por usuário/ano.

Por fim, há inúmeras possibilidades de ganho à partir do consumo colaborativo, que depurou algo importantíssimo no mundo de negócios: a confiança entre estranhos. Esse tipo de negócio gerou milhões de micro-preneurs, empoderando as pessoas.

Estar nessas grandes cadeias globais de valor digital, plataformas mundiais e aprender a se monetizar coparticipando disso é a grande estratégia hoje para ganhar dinheiro, muitas vezes muito dinheiro na seara da transformação digital por que passa o planeta, a sociedade e cada um de nós.