Tendências e realidades em internet das coisas, uso de dados e eficiência em processos

Tendências e realidades em internet das coisas, uso de dados e eficiência em processos

30 de junho de 2019 0 Por André Spínola

Olá a todos! Um tempo atrás pude conhecer a excelente estrutura do Knowledge Center da GS1 Alemã, na cidade de Colônia, aprofundando um pouco mais em tendências, realidades e conceitos sobre padronizações, sensorização e IoT, especificações técnicas, data driven business e logística inteligente como fatores de competitividade empresarial de fronteira. Tivemos a oportunidade de frequentar laboratórios super interessantes ligados às cadeias de suprimentos da saúde, carnes e mercearias.

A GS1

A GS1 é “uma organização neutra e sem fins lucrativos que desenvolve e mantém os padrões globais mais utilizados para uma comunicação empresarial eficiente”(definição em seu site). Seu maior reconhecimento é pelo desenvolvimento dos códigos de barras.

O pano de fundo do seu trabalho é implementar e disseminar padrões de identificação de produtos, agregando valor às cadeias de suprimentos, de ponta a ponta, com mais eficiência e segurança.

Estão presentes em 112 países, sendo o Brasil o quinto país com mais associados, cerca de 58 mil. São 1,5 milhão de empresas usuárias, com 6 bilhões de transações diárias.

A GS1 alemã é uma referência global em inovação de ponta, considerada a mais avançada entre os 112 representantes. Seu Knowledge Center foi criado em 2008 e já reformulado em 2017.

Cadeia de valor da saúde

No lab vinculado à saúde é possível conjugar a perspectiva de valor das clínicas e hospitais, fabricação de medicamentos e insumos, além da comercialização em si, combinando a logística e processos de aquisição com os processos documentados e tecnologia.

O mapeamento de processos, a rastreabilidade e a definição de global standards, permitem ganhos de eficiência incríveis em, por exemplo:

– Redução de perdas de medicamentos por perda de validade ou defeito (10% desses produtos se perdem );

– Recall de quaisquer produtos em tempo real;

– Uso correto e padronizado de instrumentos médicos, com cálculo e histórico de uso;

– Rastreabilidade de todo o tratamento ministrado com escaneamento e processamento de crachás, embalagens e etiquetas, o que permite registrar e analisar padrões de prescrição, uso, ministração, resultados, etc.

– Dificultar a pirataria e roubos de medicamentos.

Cadeia de valor de carnes e peixes

Aqui conhecemos um ambiente de demonstração da solução de rastreabilidade F-Trace, que busca melhorar a eficiência e a confiança ao longo dessas cadeias de fornecimento, do campo à mesa, padronizando setores inteiros e capacitando as empresas a compartilhar informações sobre todo o processamento e venda, de forma ultra transparente. Produtores, fabricantes e varejistas podem fornecer informações sobre a origem, o processamento e a qualidade de seus produtos entre si e para os consumidores, que estão cada vez mais conscientes e valorizando tais ativos.


Com variadas informações num data lake dos produtos rastreados, os consumidores, processadores, varejistas e quem mais se interessar podem visualizar como um produto foi criado, durante todo o processo de produção e processamento, fomentando confiança, padronização, atendimento de requisitos ambientais e fitossanitários, dentre outros ganhos.

Mercearias e omnicanalidade

No lab voltado a demonstrações e operações de varejo em mercados, a cadeia de valor se inicia na cozinha de um avatar chamado Michael, que interage com seu assistente pessoal, como nos filmes, solicitando lembretes e tarefas (compras, por exemplo), realizando vídeo chamadas e organizando trilhas sonoras (mesmo, que, como foi bem explicado, ainda não haja capacidade de processamento e geração de dados suficientes para que isso aconteça na prática, em alguns anos isso será plenamente possível. Mas vale como gancho para as demais demonstrações).

Varejo Supermercado

A falta de alguns itens para uma receita, nos leva ao mercado, onde passamos a interagir com sensores e ter a nossa presença digital identificada pelo estabelecimento, que, assim que entramos, passa a nos oferecer descontos e alertas customizados (como, por exemplo, lembretes de alergias para determinados itens e cupons de desconto para o que faltou na receita da cozinha).

Pudemos ver o “código de barras invisível”, por meio do qual toda a embalagem se torna o código, facilitando o manuseio pelos caixas e clientes, principalmente nas embalagens menores (as embalagens não precisarão mais ser viradas e reviradas em busca do código).

O posicionamento nas prateleiras também foi abordado, tendo se tornando algo muito importante para o comportamento de compras e eficiência dos pontos de venda, já que passa a ser importante como o produto foi retirado e porque. Também foi explicado o ganho de eficiência tanto para o estabelecimento quanto para o consumidor com prateleiras “sensíveis”, que detectam a retirada e devolução de itens, com a mesma tecnologia que permite que o consumidor saia da loja sem ter que parar nos caixas, com a cobrança automática (essa é uma enorme novidade, utilizada em pouquíssimos lugares no mundo, mas que já parece batida de tanto que vimos os vídeos e milhões de referências ao Amazon Go, em Seatlle, onde é possível entrar, escolher o que quiser e sair sem ter que pagar no caixa-paga-se automaticamente após sua identificação digital.).

Produtos que estejam em falta no ponto físico podem ser comprados on line ainda dentro do estabelecimento, de forma a minimizar uma possível frustração o consumidor.

E, pra finalizar, foi detalhado um pouco mais o conceito de lockers externos, para entregas em pontos públicos para aqueles consumidores que tem dificuldades pra receber encomendas em casa. Dessa forma, há uma extrema otimização da “última milha” do processo de logística de entrega, satisfazendo ambas as partes da operação. Já pude utilizar esse serviço da Amazon (sempre ela!) nos Estados Unidos e foi uma mão na roda. Ao comprar é possível indicar um de dezenas de lockers em pontos de grande circulação e com funcionamento 24 horas, como lojas 7 Eleven e postos de combustíveis. Ao ser entregue, recebe-se um código por e-mail que é digitado no locker. A porta se abre, a mercadoria é recolhida e ponto final. Ah e tem mais: se, por qualquer motivo que seja, o consumidor não recolher sua compra em até 3 dias, a Amazon retira o produto e estorna automaticamente no cartão o valor da compra. Sem perguntar nada!

Mas… E aí?

Sem dúvidas são inovações de impacto que vem mudando, e mudarão cada vez mais, a relação de compra de produtos e serviços, bem como os vínculos entre marcas e estabelecimentos com seus clientes. Vimos da saúde à compra de peixes, como agregar valor, transparência, reduzir custos, etc, com tecnologias escaláveis e exponenciais, que trabalham com big data por trás, orientando várias e várias tomadas de decisão, tanto empresariais quanto dos consumidores finais.

No entanto, ainda não estão presentes, pelo menos na prática, os conceitos mais amplos de plataforma, por meio do qual se trocam valores por dentro dos serviços, de forma ativa. Isso poderia acontecer de forma aguda a partir de um ambiente de recomendações de produtos, serviços e estabelecimentos, avaliação após o consumo, abertura de uma cadeia de serviços acessórios que se alavancassem mutuamente, dentre outras possibilidades.

Estou falando de algo como envio de ofertas de produtos de mercearia ou medicamentos sem prescrição, recomendados por clientes com meu perfil ou para situações específicas, resolvendo problemas específicos do dia a dia, opções de preparo e substituições de itens e sugestões de acompanhamentos funcionais ou temáticos para as carnes e peixes rastreados, a partir de outra plataforma de chefs ou interessados em culinária.

Essas interconexões e trocas exponenciais gerariam ainda uma maior alavancagem de eficiência, ampliando as cadeias de valor, a partir de um ativo que pode ser considerado o mais importante em qualquer relação de consumo: o valor que os consumidores conferem ao que estão comprando, fidelizando-se e recomendando.